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Inhambane: monitorização aérea revela três zonas de concentração de tubarões-baleia

Inhambane: monitorização aérea revela três zonas de concentração de tubarões-baleia

Pela primeira vez numa década, a Marine Megafauna Foundation (MMF) mapeou do ar a distribuição dos tubarões-baleia na costa de Inhambane. A organização realizou a primeira ronda de voos de monitorização em avião de asa fixa no corredor entre Závora e São Sebastião, ao longo de dois dias. Como resultado, a equipa identificou três pontos de concentração: São Sebastião, Pomene e Tofinho.

Redes de emalhar ameaçam a megafauna marinha

Além de mapear a presença dos tubarões-baleia, os voos permitiram identificar uma forte presença de redes de emalhar ao longo da costa. Segundo a MMF, as zonas com maior densidade destas redes coincidem precisamente com as áreas de concentração da megafauna marinha. Por isso, a ameaça é considerada particularmente grave.

Uma das imagens recolhidas mostra um tubarão-baleia a arrastar uma rede enrolada na cauda enquanto nadava. Para a organização, este registo constitui uma evidência documentada da ameaça que o projecto se propôs investigar.

Espécie protegida, mas ainda em perigo

Em Janeiro de 2021, Moçambique atribuiu protecção legal total ao tubarão-baleia. Apesar disso, a UICN continua a classificar a espécie como “Em Perigo” na sua Lista Vermelha — avaliação que se baseou, em parte, na investigação realizada em Moçambique. A MMF estuda os tubarões-baleia de Inhambane desde 2005 e já identificou mais de 600 indivíduos através de foto-identificação.

Outras espécies observadas durante os voos

Durante a monitorização, a equipa registou igualmente baleias-jubarte a amamentar crias recém-nascidas. Além disso, avistou raias-manta de recife e raias-manta gigantes, várias espécies de golfinhos e tartarugas marinhas. A equipa observou ainda um peixe-guitarra da espécie Rhynchobatus australiae, que a UICN classifica como “Criticamente em Perigo”, e uma raia-águia-ornamentada, considerada uma espécie rara.

Uma área de importância global reconhecida

A UICN reconhece a costa de Inhambane como uma área marinha de importância global excepcional. Além disso, as autoridades consideram-na potencial Património Mundial da UNESCO. Em Janeiro de 2022, a Mission Blue, organização da oceanógrafa Sylvia Earle, declarou-a Hope Spot.

Na mesma ocasião, a Mission Blue apontou as redes de emalhar como um dos principais factores associados à redução dos avistamentos de raias-manta, tubarões-baleia, peixes-guitarra, tartarugas e dugongos. Por isso, a co-fundadora da MMF, Andrea Marshall, sublinhou a importância do local: “A paisagem marinha de Inhambane é uma área de importância incalculável, é o Serengeti marinho de África.”

Próximas rondas de monitorização

A MMF prevê realizar mais duas rondas de levantamentos, em Novembro e em Março. Os investigadores Simon Pierce e Clare Prebble lideram o trabalho de campo.

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