A empresa estatal Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) anunciou que vai avançar em Julho com a segunda fase da duplicação da linha de Ressano Garcia. Trata-se da ligação ferroviária que conecta Moçambique à África do Sul. O investimento total desta fase está estimado em 137,8 milhões de euros.
O que prevê esta fase
A nova etapa visa reforçar uma das infra-estruturas logísticas mais importantes do país e dar continuidade ao processo de modernização ferroviária. Além disso, integra uma estratégia mais ampla de aumento da capacidade de transporte e melhoria da fluidez de mercadorias ao longo do Corredor de Maputo. O CFM prevê que o empreiteiro responsável pela obra seja seleccionado até Julho, permitindo assim o arranque efectivo do projecto.
Resultados da primeira fase
A primeira fase da duplicação já produziu resultados expressivos. Com efeito, a capacidade de transporte ferroviário aumentou significativamente, passando de cerca de 13 milhões para 24 milhões de toneladas por ano. O CFM apresenta este resultado como prova do papel estratégico da ferrovia na competitividade logística nacional.
Cheias causam perturbações na rede
Apesar dos avanços, o CFM reconhece que o sistema ferroviário enfrenta dificuldades. As recentes cheias que afectaram o sul de Moçambique causaram perturbações graves na rede. Um dos impactos mais severos foi a paralisação da linha do Limpopo a segunda mais importante do país durante cerca de três meses. As perdas estimadas ascendem a 10,3 milhões de euros e afectaram aproximadamente 130 comboios.
Por isso, o CFM defende que a modernização deve incluir também a adaptação a riscos ambientais. A empresa sublinha que as infra-estruturas precisam de ser mais resilientes face à crescente vulnerabilidade a fenómenos climáticos extremos.
Movimento na rede cresce apesar dos desafios
Os dados do Governo mostram que o movimento na rede ferroviária moçambicana praticamente duplicou no primeiro trimestre do ano, atingindo 151.400 passageiros. Este resultado foi alcançado apesar dos efeitos das manifestações pós-eleitorais de 2024 e das cheias. No transporte de mercadorias, foram movimentadas 3,6 milhões de toneladas no mesmo período, um aumento de 14,9% face ao ano anterior.
Ainda assim, o CFM registou prejuízos de 40,1 milhões de euros no mesmo período, resultantes de cargas não transportadas e da destruição de infra-estruturas provocada pelas cheias, sobretudo no sul do país.
Plano de investimento até 2030
O Governo mantém um plano de investimento até 2030 avaliado em cerca de 190 milhões de euros, destinado à modernização do sector ferroviário. Este plano inclui a conclusão da duplicação dos restantes 25 quilómetros da linha de Ressano Garcia. Além disso, prevê a aquisição de mais de 30 carruagens, 250 vagões para transporte de minerais e pelo menos 15 locomotivas de linha, com o objectivo de responder ao aumento da procura de transporte de passageiros e mercadorias.
Conclusão
A segunda fase da duplicação da linha de Ressano Garcia representa um passo estratégico para Moçambique. Por um lado, reforça a capacidade logística do Corredor de Maputo. Por outro, sinaliza o compromisso do país com a modernização das suas infra-estruturas ferroviárias. Contudo, os desafios climáticos mostram que a resiliência das infra-estruturas é tão importante quanto a sua expansão.
Fonte: Lusa






