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“Choques climáticos e conflitos obrigam a nova gestão do orçamento”, diz Ministra das Finanças

A Ministra das Finanças, Carla Louveira, afirmou esta quinta-feira que Moçambique enfrenta três transições em simultâneo. São elas a climática, a geopolítica e a tecnológica. Juntas, exigem uma mudança profunda na forma como o Estado gere o Orçamento. A declaração foi feita na abertura do II Conselho Coordenador do Ministério das Finanças, em Maputo.

Três transições que se cruzam e amplificam

“Enfrentamos em simultâneo três transições, uma transição climática que nos testa, uma transição geopolítica que nos pressiona e uma transição tecnológica que nos convoca. Essas transições não actuam de forma isolada, elas cruzam-se e amplificam-se”, disse Louveira perante quadros superiores do Ministério.

Para a governante, a resposta do Estado não pode continuar a ser reactiva. Por isso, defendeu que o país precisa de abandonar a lógica de reagir depois da emergência. Em alternativa, propõe uma cultura de prevenção antecipatória.

Inundações deixaram mais de um milhão de afectados

Os dados apresentados pela Ministra mostram a dimensão do desafio. Entre Dezembro de 2025 e Janeiro de 2026, Moçambique registou as inundações mais severas da última década. O balanço foi devastador: mais de 100 mortos e cerca de 724 mil pessoas afectadas. Destas, 691 mil sofreram impacto directo. Além disso, mais de 30 mil habitações ficaram destruídas.

No total da época chuvosa 2025/2026, o número de afectados ultrapassou 1 milhão e 78 mil pessoas. O impacto estimado equivale ainda a cerca de 2% do Produto Interno Bruto. Por isso, Carla Louveira considera que o fenómeno climático deixou de ser uma emergência humanitária pontual. Trata-se, antes, de um choque fiscal estrutural.

“Reconstruir melhor não pode ser apenas uma expressão. Deve traduzir-se em escolas mais seguras, estradas mais resilientes e comunidades melhor preparadas”, defendeu.

Conflito no Médio Oriente pressiona o orçamento

No plano externo, a Ministra alertou para o recrudescimento do conflito no Médio Oriente. Este tem impacto directo nas cadeias globais de abastecimento de energia. Para Moçambique, ainda dependente da importação de combustíveis líquidos, o risco é triplo. Por um lado, há pressão sobre os preços internos. Por outro, aumenta a volatilidade na disponibilidade de divisas. Acresce ainda a incerteza na programação orçamental.

“A resposta do Governo não pode ser controlar o preço do barril. Temos de garantir uma gestão de tesouraria eficiente que proteja as famílias e as empresas”, sublinhou.

Finanças públicas sustentáveis e digitais

O II Conselho Coordenador do Ministério das Finanças termina esta sexta-feira. O evento decorre sob o lema “Finanças Públicas Sustentáveis e Digitais em prol da Transformação Estrutural da Economia”. No encerramento da sua intervenção, Louveira definiu o lema como um compromisso de gestão. “Arrecadar com justiça, gastar com critério e investir com visão de longo prazo, usando o digital para aproximar o cidadão do Estado”, concluiu.

Francisco Raiva/O País

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