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SERNIC completa um ano sem raptos, mas continua sem identificar mandantes

O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) assinalou o primeiro ano sem registo de raptos em Moçambique. No entanto, a instituição continua sem apresentar dados concretos sobre suspeitos detidos, tentativas de rapto frustradas e mandantes identificados durante os últimos 12 meses.

O marco surge após cerca de 15 anos de raptos que afectaram sobretudo o sector empresarial e alimentaram um sentimento generalizado de impunidade no país.

Durante uma conferência de imprensa, o director-geral do SERNIC, Ilídio Miguel, classificou o resultado como um avanço importante nos esforços de prevenção e combate a este tipo de criminalidade.

SERNIC destaca mudanças na estrutura da instituição

Segundo Ilídio Miguel, a redução dos raptos resulta de várias medidas adoptadas pela instituição. Entre elas, destacou a reestruturação do SERNIC, que passou a estar sob a superintendência do Procurador-Geral da República, em vez do Ministro do Interior.

Além disso, o dirigente apontou o reforço dos recursos humanos e materiais como um factor importante. Estas mudanças, segundo explicou, permitiram aumentar a autonomia da instituição na investigação da criminalidade organizada.

Por outro lado, Ilídio Miguel destacou a cooperação com as Forças de Defesa e Segurança, especialmente com a Polícia da República de Moçambique (PRM).

A colaboração dos cidadãos e dos órgãos de comunicação social também contribuiu para as operações policiais. Segundo o responsável, as informações recebidas ajudaram a desmantelar algumas redes criminosas e a identificar raptores.

Instituição admite que a luta contra os raptos continua

Apesar de completar 12 meses sem registar raptos, o SERNIC considera que ainda existem desafios no combate a este fenómeno criminal.

Ilídio Miguel alertou que o resultado não deve levar as autoridades a reduzir as medidas de segurança. Segundo afirmou, continuam a surgir tentativas de rapto, algumas das quais as autoridades procuram impedir.

Questionado sobre as razões que impediram o combate eficaz aos raptos durante os últimos 15 anos, o director-geral evitou reconhecer falhas anteriores. Em vez disso, defendeu que as medidas de combate precisavam de ser aprimoradas.

Desta forma, a instituição pretende manter as operações de prevenção e investigação, mesmo perante a ausência de casos consumados durante o último ano.

SERNIC confirma detenções, mas não apresenta estatísticas

Um dos aspectos que marcou a conferência de imprensa foi a falta de dados estatísticos sobre os resultados operacionais do último ano.

Embora tenha confirmado a detenção de grupos suspeitos de preparar novos raptos, Ilídio Miguel não revelou quantas pessoas foram detidas. O responsável alegou não dispor de números para apresentar aos jornalistas.

Da mesma forma, o dirigente afirmou que o SERNIC possui pistas sobre possíveis mandantes dos raptos. Contudo, não revelou identidades nem avançou detalhes sobre o andamento das investigações.

A instituição também não apresentou números relativos às tentativas de rapto frustradas ou ao total de suspeitos detidos durante o período em análise.

SERNIC reconhece desafios internos e agentes detidos

Durante a conferência, Ilídio Miguel também abordou os desafios internos da instituição, incluindo a necessidade de continuar a depurar as suas fileiras.

O responsável confirmou que alguns membros do SERNIC foram expulsos e detidos nos últimos 12 meses por alegado envolvimento em crimes relacionados com raptos. Ainda assim, não revelou quantos agentes foram abrangidos por estas medidas.

Além disso, rejeitou estabelecer uma relação directa entre a redução dos raptos e os assassinatos de agentes do SERNIC e da Polícia registados no ano anterior.

Segundo o dirigente, as organizações criminosas procuram infiltrar-se em instituições estratégicas e recrutar agentes para facilitar as suas actividades. Acrescentou que alguns desses agentes podem, posteriormente, tornar-se obstáculos aos próprios grupos criminosos.

Combate aos raptos continua a ser uma prioridade

O director-geral reafirmou o compromisso do SERNIC de continuar a investigar os casos de rapto e responsabilizar todos os envolvidos.

Nesse sentido, a instituição pretende identificar e localizar suspeitos, incluindo indivíduos que se encontram foragidos da Justiça.

O marco de um ano sem raptos também foi destacado pelo Presidente da República, na quinta-feira anterior, durante a abertura da primeira Conferência Internacional de Investimentos de Tete, realizada na capital provincial.

Apesar deste resultado, a ausência de estatísticas detalhadas e a falta de mandantes publicamente identificados continuam a levantar questões sobre os resultados concretos das investigações.

Assim, o desafio do SERNIC passa não só por manter a ausência de raptos consumados, mas também por apresentar resultados verificáveis na identificação e responsabilização dos envolvidos.

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