A activista social moçambicana Graça Machel defendeu hoje a necessidade de uma ruptura profunda com hábitos e normas sociais patriarcais. Segundo afirmou, estas normas continuam a estruturar as sociedades em torno da supremacia masculina e a limitar a plena realização da igualdade de género.
Graça Machel falou durante uma mesa-redonda subordinada ao tema “Liderança Feminina e Desenvolvimento Sustentável”, em Maputo. No evento, apelou a uma transformação consciente da forma como as sociedades pensam, educam e organizam as relações entre homens e mulheres.
“Temos que romper essa maneira de pensar, essa maneira de organizar a sociedade e afirmar com actos práticos e estabelecer a igualdade entre homens e mulheres”, afirmou.
Igualdade começa na família
Segundo Graça Machel, a construção da igualdade de género começa no seio da família. Concretamente, na forma como rapazes e raparigas recebem tratamento desde cedo. Para a activista, a dignidade humana não pode depender do sexo. Além disso, sublinhou que a igualdade entre homens e mulheres não constitui um gesto de benevolência. Trata-se, pelo contrário, de uma exigência ética, política e social, indispensável para o desenvolvimento sustentável e a consolidação da paz.
“As nossas sociedades estão estruturadas a partir de uma lógica que subestima, invisibiliza e condiciona o contributo das mulheres”, sublinhou.
Complementaridade entre homem e mulher
Graça Machel defendeu igualmente que a continuidade da humanidade demonstra a complementaridade essencial entre homem e mulher. Consequentemente, rejeitou qualquer lógica de superioridade de um sobre o outro. “Nós nascemos e morremos da mesma maneira”, vincou.
Evento reuniu personalidades moçambicanas e africanas
O evento contou com a presença do antigo Presidente da República, Joaquim Chissano. Adicionalmente, participaram várias personalidades moçambicanas e africanas, entre as quais Bineta Diop, antiga enviada da União Africana para Assuntos de Mulheres, Paz e Segurança.