Relatório do Conselho de Segurança da ONU alerta para o aumento do recrutamento, expansão para o sul da província e extorsão no setor marítimo.
Crescimento das Forças e Expansão Geográfica
Um relatório do Conselho de Segurança das Nações Unidas indica que o grupo insurgente Ahlu Sunnah Wal Jamaa (ASWJ) conta atualmente com 400 a 500 combatentes em Cabo Delgado. Neste sentido, a organização associada ao Estado Islâmico intensificou o recrutamento de novos membros e aproveitou rotas de migração ilegal na região. Por conseguinte, o documento assinala uma expansão gradual das ações militares para distritos do sul como Montepuez, Ancuabe e Chiúre. Além disso, os insurgentes mantêm o seu principal centro operacional no triângulo formado por Mocímboa da Praia, Macomia e Muidumbe. Desta forma, o grupo demonstra capacidade de adaptação mesmo perante a pressão das forças multinacionais.
Modus Operandi e Atividades Marítimas
As táticas de combate da insurgência adaptaram-se para evitar a deteção pelas patrulhas de segurança. Com efeito, os elementos operam maioritariamente em pequenas células compostas por 10 a 15 homens, mantendo a capacidade para coordenar ataques simultâneos. Por isso, o corredor da estrada N380, no distrito de Macomia, continua a ser alvo de investidas frequentes. Paralelamente, a ONU destaca o interesse crescente do grupo por operações marítimas ao longo da costa. De igual modo, os extremistas atacam embarcações civis e extorquem operadores do comércio de vida marinha para garantir recursos.
Estrutura de Liderança e Fontes de Financiamento
Por outro lado, a equipa de monitorização da ONU identificou os principais responsáveis pela cadeia de comando do grupo radical, apontando Hassan Ulanga como o líder atual. De facto, a extorsão a camiões de transporte, o comércio marítimo e os raptos em troca de resgates constituem as principais fontes de rendimento da rede. Ademais, a utilização de sistemas informais de transferência de valores dificulta a deteção das verbas pelas autoridades financeiras. Finalmente, o relatório conclui que a insurgência mantém a sua resiliência numa região que contabiliza já cerca de 6.600 mortos e mais de 1,2 milhão de deslocados.






