Moçambique prevê integrar, no primeiro trimestre de 2027, o sistema regional de pagamentos em tempo real da SADC. A medida deverá reduzir custos e acelerar as transacções comerciais com os países da região. O anúncio foi feito pelo governador do Banco de Moçambique, Felisberto Navalha, no final da reunião do Comité de Política Monetária, em Maputo.
O que é o sistema RTGS da SADC
Moçambique está a concluir os preparativos para aderir ao Sistema de Liquidação Bruta em Tempo Real (RTGS) da SADC, sediado no Reserve Bank da África do Sul. Segundo Navalha, a adesão trará benefícios concretos para o comércio regional. “Diminui bastante o tempo da transacção. Reduz o custo da transacção e praticamente torna o comércio regional cada vez mais fluido”, afirmou.
Pagamentos transfronteiriços mais simples
A integração deverá facilitar sobretudo as operações comerciais com a África do Sul, principal parceiro económico regional de Moçambique. Actualmente, a liquidação de pagamentos em rands depende da disponibilidade prévia da moeda pelos bancos comerciais. Por isso, pode provocar atrasos e custos adicionais.
“Hoje em dia, quando vai ao seu balcão para pagar uma factura de uma importação na África do Sul, primeiro o banco tem que confirmar se ele, o próprio banco, aqui internamente, tem rands. Até às vezes, depois voltamos à questão de não haver divisas”, explicou o governador.
Com a integração no RTGS da SADC, o processo torna-se mais directo. “O cliente vai ao seu banco, mostra interesse em liquidar uma factura na África do Sul, a transacção ocorre de imediato, na sua conta em meticais, é debitada e faz-se a liquidação via RTGS da SADC na praça de Joanesburgo”, disse Navalha.
Angola já aderiu, Moçambique segue-se
O sistema já integra o rand sul-africano e, desde Julho, o kwanza angolano — a segunda moeda da região a aderir à plataforma. Por sua vez, o metical moçambicano e o pula do Botsuana estão entre as moedas previstas para integração numa fase seguinte.
Segundo Navalha, a adesão dos países está a ocorrer de forma gradual. O objectivo é ampliar os pagamentos transfronteiriços em tempo real e reduzir a dependência de intermediários financeiros e bancos correspondentes. “Acreditamos que outros países estão na linha da frente e nós também não queremos ficar atrás. Acreditamos que no primeiro trimestre do próximo ano já estaremos integrados na plataforma”, afirmou.
Preparativos em curso
Antes da entrada em funcionamento, Moçambique deverá concluir os procedimentos técnicos e financeiros necessários à participação no sistema regional. Desta forma, o país posiciona-se para modernizar os seus pagamentos transfronteiriços e reforçar a integração económica na região da SADC.
Fonte: Lusa






