Eventos extremos provocaram perdas de 48,6 mil milhões de dólares em Moçambique

As cheias, inundações e ciclones afectaram Moçambique no início de 2026. As perdas económicas e necessidades de reconstrução chegam a 48,6 mil milhões de dólares. O Governo anunciou os dados hoje, em Maputo, num diálogo sobre resiliência climática.

Segundo a ministra das Finanças, Carla Louveira, os eventos afectaram cerca de 1,07 milhões de pessoas. Adicionalmente, destruíram ou danificaram mais de 210 mil habitações. Além disso, provocaram perdas na agricultura, insegurança alimentar e interrupção de serviços essenciais.

Pressão sobre as finanças públicas

Os desastres afectaram igualmente transportes e infraestruturas sociais. Consequentemente, agravaram vulnerabilidades e aumentaram a pressão sobre as finanças públicas. Os fenómenos climáticos criaram necessidades urgentes de reconstrução fora do orçamento previsto. Isso teve impactos directos sobre o endividamento público.

“Quando falamos de resiliência, falamos de uma agenda nacional de desenvolvimento. Falamos de proteger a vida e os investimentos em infraestruturas resilientes”, afirmou Louveira.

Instrumentos de protecção financeira

O Governo dispõe do Plano de Protecção Financeira contra Desastres 2022-2027. Além disso, o Fundo de Gestão de Calamidades garante uma dotação mínima anual de 0,14 por cento das receitas fiscais. A ministra destacou igualmente a Estratégia Nacional de Financiamento Climático 2025-2034. Segundo Louveira, trata-se de um marco na mobilização de recursos para tornar a economia moçambicana mais resiliente.

Projectos de recuperação em curso

O Projecto de Resiliência Local do Norte de Moçambique (Moz Norte) recebeu 150 milhões de dólares. O Projecto de Recuperação de Crises do Norte (NRSP) conta com 200 milhões do Banco Mundial. Destina-se à reconstrução de infraestruturas nas zonas afectadas. Adicionalmente, um programa regional de preparação para emergências vale 37 milhões de dólares. Por outro lado, o Banco Mundial aprovou 10 mil milhões de dólares para Moçambique. Desse total, seis mil milhões vão para o sector público e quatro mil milhões para o sector privado.

Alertas para o futuro

O director da divisão do Banco Mundial para Moçambique, Fily Sissoko, alertou para as múltiplas crises do país. “O país tem enfrentado cheias, ciclones sucessivos, pandemias e a crise do Médio Oriente”, disse. Além disso, Sissoko alertou para o futuro. Até 2050, mais de metade da população moçambicana viverá em cidades costeiras. Essas cidades são vulneráveis a eventos climáticos extremos.

O diálogo reúne hoje, em Maputo, representantes do Governo, municípios, parceiros de cooperação, sector privado e sociedade civil.

(AIM)

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