O director da Divisão do Banco Mundial para Moçambique defendeu que as receitas do gás e dos minerais só trarão benefícios duradouros se forem transformadas em investimentos produtivos.
O Banco Mundial considera que a abundância de recursos naturais representa uma oportunidade para Moçambique, mas adverte que, por si só, não garante o desenvolvimento do país. A posição foi defendida esta quarta-feira, em Maputo, pelo Director da Divisão do Banco Mundial para Moçambique, Filipe Sissoko, durante a Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável de Moçambique.
“Os recursos naturais são uma oportunidade, não uma garantia”, afirmou Sissoko, sublinhando que as receitas provenientes dos minerais e do gás natural devem ser canalizadas para investimentos produtivos, infraestruturas, educação, saúde, criação de emprego e fortalecimento das instituições.
Crescimento que Chega às Pessoas
Para o responsável, o verdadeiro teste do desenvolvimento não está nos números macroeconómicos, mas no impacto concreto na vida das pessoas. “O crescimento do PIB é importante, mas o verdadeiro desenvolvimento mede-se pela melhoria das oportunidades para as pessoas em todo o país”, disse.
Nesse sentido, Sissoko defendeu que o crescimento económico deve criar mais oportunidades para agricultores, trabalhadores, mulheres e jovens. “A questão não é saber se Moçambique pode crescer. O país já demonstrou que pode. O desafio é transformar esse crescimento em emprego, aumento do rendimento das famílias e prosperidade partilhada”, acrescentou.
Cinco Prioridades para os Próximos 25 Anos
Para orientar o desenvolvimento de Moçambique nas próximas décadas, o Banco Mundial identificou cinco prioridades: transformação agro-industrial, desenvolvimento do capital humano, expansão das infraestruturas, diversificação da economia e reforço das instituições.
Na agricultura, a instituição defende a modernização do sector, a expansão dos sistemas de irrigação e a melhoria do acesso dos produtores aos mercados. Quanto ao capital humano, Sissoko sublinhou que o principal activo de Moçambique é a sua população, pelo que maiores investimentos em educação, saúde, nutrição e formação profissional são essenciais para preparar os jovens para a economia moderna.
O responsável destacou ainda as vantagens estratégicas do país: uma população maioritariamente jovem, importantes reservas de gás natural e uma localização geográfica privilegiada como corredor de ligação entre a África Austral e os mercados internacionais.
União Europeia Reafirma Apoio
Por sua vez, o embaixador da União Europeia em Moçambique, Antonino Maggiore, defendeu que o futuro do país depende das decisões tomadas hoje. “A estratégia, por si só, não muda um país. São as instituições que a concretizam e as pessoas que lhe dão vida”, afirmou.
Maggiore reafirmou ainda o compromisso europeu de continuar a apoiar Moçambique através de uma parceria baseada no diálogo político e na promoção do desenvolvimento inclusivo e sustentável.
A conferência reúne representantes do Governo, parceiros de cooperação, sector privado, sociedade civil e academia para debater a visão estratégica do país para os próximos 25 anos.






