Falta de Divisas Sufoca Economia Moçambicana, Segundo Estudo do CIP

Empresas fecham, empregos desaparecem

Mais de 500 empresas fecharam. Cerca de 15 mil postos de trabalho foram eliminados. A causa: a escassez persistente de divisas em Moçambique. Os dados constam de um estudo divulgado esta terça-feira pelo Centro de Integridade Pública (CIP).

A análise chama-se Impactos Macrofiscais Associados à Escassez Persistente de Divisas e à Taxa de Câmbio em Moçambique (1990-2024). O CIP apresentou-a em Maputo, com base em entrevistas a gestores empresariais e associações do sector privado.


Capacidade de importação cai 40%

A investigadora Tereza Boene explica que o estudo surgiu da preocupação com duas realidades persistentes: as restrições ao acesso a moeda estrangeira e uma taxa de câmbio desajustada face ao mercado real.

Os números são preocupantes. As limitações cambiais cortaram em 40% a capacidade de importação das empresas. A produção caiu. Vários sectores da economia ressentem-se directamente.

O impacto chega também às famílias. O relatório estima que cerca de 75 mil pessoas sofreram efeitos indirectos, considerando a dimensão média dos agregados familiares moçambicanos.


Inflação alta, metical em queda

O estudo analisa as tendências macroeconómicas entre 1990 e 2024. O retrato é exigente: crescimento económico a abrandar, inflação média de 9% ao ano e depreciação gradual do metical.

Os dados empíricos revelam uma economia muito sensível a choques externos. Uma variação de 1% na taxa de câmbio pode reduzir o crescimento em 0,65% e aumentar a inflação em 0,3%.


CIP exige reformas estruturais

Face a este cenário, o CIP defende mudanças profundas. A organização aponta quatro prioridades:

  • Reforçar a produção interna e diversificar a base económica
  • Acelerar a industrialização do país
  • Expandir as exportações
  • Aumentar o investimento em infra-estruturas, energia e transportes

Para o CIP, só estas medidas podem reduzir a dependência estrutural de divisas externas e garantir um crescimento económico sustentável.

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